O poder e a força de ser mulher

 

Quanto mais mergulho profundo nas águas de meu mundo interior, mais reconheço a força de cura que cada uma de nós, mulheres, carregamos dentro de si.

Acontece que a maioria de nós não sabe a força que tem, até que ser forte seja a nossa única opção.

Penso que o mesmo poder que temos para gerar um homem, o temos também, se mal direcionado, de destruí-lo.

Se é dentro de nós que um novo projeto de ser humano é formado, é de nós que ele vai receber todas as qualidades, sejam elas boas ou aquelas que consideramos ruins.

Não tiro a responsabilidade dos homens de colaborarem com a melhoria do mundo que queremos viver. O homem pode e deve contribuir para o bem-estar da mulher.

Ontem, uma amiga me disse: “Como é difícil ser mulher!”

Mas é como sempre gosto de lembrar: a quem muito é dado, muito é cobrado.E aí temos duas escolhas: rejeitar o nosso dom e sofrer ou aceitar a nossa condição humana e feminina e contribuir com o mundo, lapidando o nosso poder para que ele possa sempre estar aliado ao amor incondicional e protegido pelas mãos de Deus, a quem única e verdadeiramente este poder pertence.

Somos apenas instrumento!

As nossas ferramentas de trabalho nesta missão são: amorosidade, sensibilidade, paciência, fé, beleza, nutrição, carinho, afeto, cuidado e acolhimento. Nosso manual de instrução é o nosso coração e a nossa intuição aguçada, sempre fortalecidos pela oração e pela entrega sincera.

Agradeço a Deus pela dádiva de ser mulher, comprometo-me a lapidar-me constantemente e mesmo que eu caia no esquecimento, levanto-me e retorno ao cumprimento de minha missão, recordando-me do poder e da força de ser Mulher!

Esse com certeza vai ser o vídeo mais lindo que vai assistir no dia de hoje.

Vanessa Bonafini

Ser feliz ou ter razão?

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Desde criança somos incentivados a moldar o nosso ego para que ele torne-se uma arma e um escudo ao mesmo tempo. Começa um processo de blindagem para que não sejamos ofendidos nem taxados como inferiores. E com o passar dos anos já estamos experts em defender com unhas e dentes a nossa lustrada razão. Mesmo que isso nos cause prejuízos.

Diz aí, quantas pessoas você conhece que nunca dão o braço a torcer? Que falam muito sobre Jesus e nunca deram a outra face para bater? Ou vivem uma falsa verdade, mantêm a fachada da família feliz para permanecer na falsa superioridade da razão.

Aquelas pessoasfelicidade_1_1 que querem ter sempre a última palavra na discussão. Aqueles que ficam segurando a porta do elevador até a última pessoa sair. Não por educação, mas por alguma espécie de saciamento do ego. Ou os que juram que o trajeto que escolheram é sempre o melhor. Os que dizem sempre “vai por mim”. Os que ligam para o CVV e acabam se matando. 

Se a nossa grama não é mais verde, ela é de uma raça importada. “Meu carro é um popular, mas é mais econômico que o seu”. Não se pode ficar por baixo. Há de se procurar uma razão para justificar a posição de segunda voz na dupla sertaneja. Nunca é a sua vez de ceder. É o machismo e o feminismo exacerbado, é a sensação de ser sempre a resposta, nunca a pergunta.

Considero uma das melhores frases do mundo aquela criada por Ferreira Gullar: “Não quero ter razão, eu quero é ser feliz!” O poeta teve esse insight quando estava em casa sozinho depois de uma briga com sua mulher. Ele ficou na fossa e acabou ligando pra ela dizendo essa frase. Tudo ficou em paz. O mais incrível é que tempos depois, após publicado em seus versos, um leitor o encontrou e disse que aquela frase também o teria feito reatar com sua namorada.

Considero uma das melhores frases do mundo aquela criada por Ferreira Gullar: “Não quero ter razão, eu quero é ser feliz!” O poeta teve esse insight quando estava em casa sozinho depois de uma briga com sua mulher. Ele ficou na fossa e acabou ligando pra ela dizendo essa frase. Tudo ficou em paz. O mais incrível é que tempos depois, após publicado em seus versos, um leitor o encontrou e disse que aquela frase também o teria feito reatar com sua namorada.

Quantas e quantas vezes nos já deixamos passar coisas, momentos e oportunidades apenas por querer ter a razão. Talvez nem por nossa própria culpa, mas pelo condicionamento que cultivamos no curso da vida. Precisamos manter o ego intacto, ou seguir apenas o intelecto, o lado esquerdo do cérebro. Ego, orgulho, razão, eles estão ali juntinhos, bem perto um do outro; como uma barreira de jogadores a impedir o gol.

Você pode ter perdido uma amizade apenas por não querer ligar primeiro. Ter se envolvido em um acidente por escolher a estrada mais difícil só para ter razão. Se perder em algum lugar desconhecido por dizer sempre “eu sei o que estou fazendo”. Vai haver momentos em que não saberemos mesmo, o que estamos fazendo. E isso é completamente natural. Não é ser ofendido, tão pouco inferior. Não ter a razão de vez em quando é premissa fundamental para ser feliz. É ou não é? Desculpa, mas é que eu tenho razão.

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A Lei do Retorno é precisa. Não podemos fazer o mal esperando o bem.

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A Lei do Retorno é precisa. Não podemos fazer o mal esperando o bem… Tem quem acredite que sairá impune de qualquer ato negativo em relação às outras pessoas e ao mundo. E como tem! Caso contrário, não veríamos tantas barbaridades nos noticiários, no nosso trabalho, na vizinhança e até mesmo dentro de casa.

São pessoas que não conseguem enxergar um palmo a frente de seu umbigo maquiavélico para entender que há consequências para tudo que fazemos.

Assim como a bondade, a maldade também é uma semente que plantamos no universo, a qual, mais cedo ou mais tarde, encontrará a vibração certa para germinar e fazer florescer toda aquela energia que jogamos no mundo.

Pode ser como o bambu que leva anos para sair do solo ou como um pé de feijão que com apenas alguns dias já brota da terra trazendo as repercussões de um plantio anterior.

Uma ação de maldade é uma bolha de energia que assume um lugar no ar da existência e paira pela natureza levada pelos ventos do destino que, sob o ímã da lei da atração, retorna ao ponto de origem, às vezes, mais pesada, expandida e escura entrando em nosso organismo em uma natural inspiração dos pulmões.

Leia Também:Ensine seu filho que o super-herói mais poderoso do mundo se chama Deus, não Super-Homem!

Então, aloja-se na nossa alma como uma erva daninha que toma nossas alegrias, nossa positividade, agregando tormentos ao nosso dia a dia, dos quais somos incapazes de entender a origem e ligar àquela atitude equivocada que um dia tivemos no passado.

E, muitas vezes, a consequência do mal que jogamos no mundo pode ser visível aos olhos como o desafeto das pessoas, a falta de confiança, uma doença ou a solidão, sem falar no estresse diário da energia negativa que se instaura em qualquer caminho que desejamos percorrer na vida.

Então, tudo dá errado. O copo quebra, a comida queima, o carro estraga ou o trânsito nos atrasa. Perdemos o celular, a promoção no trabalho ou o emprego e pegamos uma gripe, uma alergia, a luz queima e nosso filme também.

Acreditamos que estamos vivendo um dia ruim, mas, na verdade, é a energia negativa em forma de nuvem escura ao redor da nossa cabeça estragando tudo que está a nossa volta.

É o momento de parar e refletir sobre nossos comportamentos e escolhas para tomar consciência de nossos equívocos. Pedir perdão às pessoas, a Deus, ao universo, conforme sua crença, e por tudo que de mau um dia fizemos.

Rezar por força e resiliência para nos tornarmos pessoas melhores, cada vez mais afastadas de atitudes contra os outros e de pensamentos negativos. Então, as flores ressecadas e opacas do jardim de nossa vida tornam-se coloridas e perfumadas.

A sorte volta para o nosso lado, assim como as pessoas do bem. Entramos de volta no trilho rumo à felicidade plantando e colhendo alegrias, ficamos disponíveis ao amor, ficamos mais generosos e iniciamos um ciclo de acontecimentos bons e resoluções de problemas, com a certeza de que plantando o mal, jamais se colherá o bem.

Afinal quem trata as pessoas mal, não pode esperar ser bem tratado. Se trai, não deve contar com o afeto de quem feriu. Se mente, que saiba conviver com a desconfiança. Se for egoísta, é preciso se preparar para a solidão. E se agir mal, terá o retorno em acontecimentos que entristecem a alma, naturalmente. Sem planos nem vinganças, apenas com correr do tempo no universo.

E essa questão não é sobre ser uma pessoa boa ou não, mas sobre ser humano e ter a consciência de fazer as escolhas certas. Por que como diz a célebre frase de Buda:

“É a própria mente do homem, não seu inimigo, que o seduz para o mau caminho.”

A vida é como uma conta no banco: quanto mais o bem praticarmos no mundo, mais nossa conta é positiva. Quanto mais maldades, mais ela é negativa. E o saldo final é o que levamos para a eternidade.

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Vanessa Bonafini

Incidência do tumor aumenta entre pessoas com menos de 50 anos sem aparente histórico familiar.

 

Ana Paula teve o diagnóstico de câncer colorretal com metástase no pulmão

O câncer colorretal cresceu cerca de 20% nos últimos 15 anos, segundo o oncologista Thiago Jorge, do Conselho Científico do Instituto Vencer o Câncer. Segundo ele, o aumento da incidência ocorre principalmente entre pessoas abaixo de 50 anos.

Neste mês, comemora-se o Março Azul Escuro, de conscientização e combate ao câncer colorretal. Esse tipo de câncer, que abrange tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamada cólon e no reto, é o segundo mais comum no mundo, atingindo 39% da população, segundo o relatório mundial de câncer da OMS (Organização Mundial da Saúde).

O médico afirma que o maior acesso aos serviços de saúde e a melhora do diagnóstico influenciam essa elevação do número de casos.

É tratável e, na maioria dos casos, curável, de acordo com o Inca (Instituto Nacional de Câncer).

A estilista Ana Paula Monteiro, 41, faz parte dessa estatística. “Tive sangramentos e dificuldade para ir ao banheiro, mas como não tinha histórico na família, não pensei que fosse isso”, afirma. Quando ela descobriu a doença, em 2013, o câncer já estava em estágio avançado, com ocorrência de metástase no pulmão. Hoje, com o tumor do intestino já retirado, ela trata o pulmão.

Ela afirma que hoje sua qualidade de vida é melhor do que quando descobriu a doença. “Adotei uma alimentação mais saudável e faço exercícios regularmente. É importante ter a cabeça no lugar e acreditar que tudo vai dar certo”, afirma.

O oncologista explica que os sintomas do câncer colorretal, quando aparecem, podem ser confundidos com hemorroida, como sangue nas fezes, por isso a importância de consultar um médico. Outros sintomas são alteração do hábito intestinal, cólicas abdominais frequentes e perda de peso sem causa aparente, segundo o Inca.

Saiba mais: 1 em 5 homens e 1 em 6 mulheres terão câncer em algum momento da vida, estima relatório

Segundo o cirurgião oncológico Samuel Aguiar Jr., responsável pelo departamento de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center, o câncer colorretal está altamente associado a pessoas que vivem em regiões de maior industrialização, por conta do estilo de vida adotado nesses locais.

Nessas áreas, as pessoas estão mais expostas a fatores de risco, como o sedentarismo, alta ingestão de carnes vermelhas e carnes processadas, baixa ingestão de frutas e verduras, obesidade, fumo e álcool. Já a hereditariedade do câncer representa apenas 5% dos casos, ocorrendo apenas em parentes de primeiro grau.

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O cirurgião afirma que, entre as pessoas que não apresentam sinais, é necessário fazer exames de rastreamento preventivos, que são a colonoscopia, a cada cinco anos, na qual é necessária a introdução de uma pequena câmera pelo ânus para que seja feita a análise do intestino, e o exame de pesquisa de sangue nas fezes, feito anualmente, ambos a partir dos 50 anos. Entretanto, a presença de sangue nas fezes não necessariamente significa a presença de um câncer, podendo ser ocasionado por gastrite ou hemorroidas, por exemplo.

Veja tambám: Descubra como identificar os primeiros sinais de câncer colorretal

O tratamento do câncer colorretal depende do estágio do tumor, que são quatro. No estágio 1, a parte afetada pode ser removida durante o exame de colonoscopia ou por cirurgia minimamente invasiva e apresenta taxa de sobrevida de até 96%.

Nos estágios 2 e 3, o câncer ainda não apresenta metástases — não se espalhou para outros órgãos —, mas já deverá ser retirado por meio de cirurgia e tratado com quimioterapia. Se o local afetado for próximo ao reto, poderá ser necessaria a radioterapia, segundo o cirurgião. A taxa de sobrevida do estágio 2 é de 70% a 85%, e do estágio 3, de 50% a 70%, ainda de acordo com Aguiar.

Saiba mais: Uso exclusivo de terapia alternativa contra câncer eleva mortalidade

Já no estágio 4, o paciente já apresenta metástase. O tratamento também é quimioterápico com cirurgia. Aguiar afirma que se a metástase for no fígado, poderá ser revertida. Nesses casos, a remissão total da metástase atinge 15% dos pacientes, afirma Jorge.

Aguiar afirma que esse tipo de metástase é a mais comum, pois o intestino grosso é o responsável por absorver os nutrientes e a água, que são metabolizados no fígado. Conforme o sangue é encaminhado para o fígado, as células cancerígenas acabam se locomovendo para lá também, afetando o órgão. A doença pode se espalhar também para outros órgãos, como pulmão e cérebro.

Veja também: Meia hora de exercício por dia pode evitar câncer

Para prevenir a doença, os especialistas recomendam a prática frequente de atividades físicas, a ingestão de frutas e verduras e  reduzação do consumo de carne vermelha, sendo recomendado de 80g a 100g semanais — o equivalente a um bife —, além de evitar bebidas alcoólicas e o cigarro.

Por: Deborah Giannini

Acompanho a história da Ana Paula Massolin Monteiro, assim que ela descobriu e até então cada tratamento novo, cada vitória , cada tristeza as vezes desespero ou incerteza, sim as vezes o medo chega sem aviso prévio não somos fortes o tempo todo e nem temos que ser, precisamos as vezes curtiram momento digamos mais depre mais logo passa rsrsrs. E no caso da Ana Paula ela tenta dividir o máximo com seus seguidores no Instagram quem não conhece vale a pena seguir ela  @itsup2you_ana ela é divertida e sincerona e tem um jeito só dela de dividir “que a vida devia ser bem melhor e será.

Vanessa Bonafini

Trabalhar a espiritualidade é benéfico para o paciente oncológico

mulher espiritualidade

Quando se passa por um trauma, por uma doença grave ou por uma grande perda, surgem a dor, o medo, os questionamentos sobre a vida, o sofrimento. “Trabalhar com a espiritualidade permite muitas vezes que se encontre um novo significado daquilo que se está vivendo”, diz o oncologista do hospital A Beneficência Portuguesa e colaborador do Instituto Vencer o Câncer, Felipe Moraes Toledo Pereira.

A atenção à espiritualidade está ganhando espaço em centros oncológicos e benefícios aos pacientes já são observados, como diminuição de índices depressão, maior controle da ansiedade e mais comprometimento com o tratamento. E o paciente não precisa ter necessariamente uma religião para trabalhar sua espiritualidade. “Mesmo nas pessoas que não têm religião, a espiritualidade pode e deve ser alimentada. Existem formas de acessar a espiritualidade através da música, da arte, através da meditação”, explica o oncologista.

A seguir, você lê a entrevista que o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira concedeu ao Instituto Vencer o Câncer:

Dr Felipe, qual é a relação entre câncer e espiritualidade? De que forma desenvolver a espiritualidade pode ajudar o paciente oncológico?

Os pacientes que estão enfrentando um câncer, muito comumente, diante de uma situação difícil como essa, levantam questionamentos sobre seu próprio sentido de vida e o propósito pelo qual estão aqui. Isso, por vezes, pode ser fonte de sofrimento espiritual. Por vezes, pode ser fonte de uma perda da esperança em algo que faz, que dê um valor maior e mais amplo a sua própria vida. Nesse sentido, trabalhar e lidar com a espiritualidade permite muitas vezes que se encontre um novo significado daquilo que se está vivendo, a partir de uma perspectiva da transcendência, a partir de um encontro com a divindade, com Deus, com uma força cósmica, isso é particular de cada um. E o que a gente observa em vários estudos é que, conforme as pessoas encontram sentido e propósito no que estão vivendo e ressignificam sua vida a partir de uma relação saudável com o transcendente, com aquilo que chama de sagrado, isso faz com que certos sintomas, como depressão, ansiedade e dor, melhorem no seu controle não só com a terapêutica tradicional, mas também lidando com a espiritualidade.

Muitos pacientes se culpam por estar doentes, outros questionam por que aconteceu com eles. Trabalhar a espiritualidade pode ajudar o paciente a ter respostas que a medicina não oferece a ele?

A questão da espiritualidade está relacionada com o porquê das coisas. Então, é evidente que diante de uma doença grave como câncer, as pessoas poderão fazer questionamentos que muitas vezes são resolvidos pela equipe de uma maneira muito prática. Então, eu tenho um câncer de pulmão muito provavelmente porque passei a vida fumando ou porque tenho exposição grande a fatores de risco. Porém, essa explicação, que para nós da área da saúde parece suficiente, muitas vezes no universo pessoal de cada um não é a solução. Muitas vezes, a resposta a essa pergunta é muito mais profunda. Muitas vezes, as pessoas querem entender o significado mais amplo daquele fato, daquele acontecimento dentro da sua vida. E quando isso não vem claramente, isso gera uma sensação de desesperança e desespero muito grande. Então, buscar respostas para o sofrimento é uma forma de enfrentá-lo de maneira mais altiva e resiliente. Então, acho que sim, que cuidar da espiritualidade durante o adoecimento permite enfrentar a doença de uma melhor maneira, obtendo melhores resultados.

Como o médico pode introduzir o tema ao paciente?

A equipe de saúde deve agir como sendo uma facilitadora da questão da espiritualidade. Nenhum de nós, evidentemente, quer ter papel de líder religioso ou assistente religioso das pessoas, não se trata disso. Se trata de criar espaço dentro de consultórios, hospitais e ambulatórios para que esse tema seja discutido e que se possa fazer encaminhamentos e orientações. Quando as pessoas trazem esse tema para equipe, a equipe não deve relegá-lo ao segundo plano, mas deve sim valorizá-lo e encaminhá-lo.

 

E como se trabalha a espiritualidade? Pela religião? E pacientes que não têm religião, como podem fazer isso?

Existem várias formas. A religião é para maioria das pessoas o principal caminho de alimento da espiritualidade; então através das práticas de determinados rituais, de determinadas leituras, orações ou outras ações litúrgicas, as pessoas encontram significado e conexão com o Sagrado e o transcendente. Mas há pessoas que, de fato, não têm religião ou não acreditam em Deus. Mesmo assim a espiritualidade pode e deve ser alimentada. Existem formas de acessar a espiritualidade através da música, da arte, da meditação, que não necessariamente estão conectadas a uma estrutura religiosa específica. Mesmo em pessoas que não consideram a probabilidade da existência de Deus, essas pessoas inevitavelmente colocam na sua vida determinados pontos como sagrados: seja sua família, seja seu legado profissional e financeiro, o que quer que seja. E reestruturar a maneira como a pessoa entende a sua vida e entende esse desafio (o câncer), pode fazer com que ela tenha um menor sofrimento e saia vitoriosa de uma doença como essa.

É necessário o acompanhamento de um profissional, de um líder, de alguém que oriente o paciente?

O acompanhamento é interprofissional, inter-religioso e ecumênico, ou seja, quando você lida com a espiritualidade não necessariamente a conexão, o vínculo empático se fará entre o paciente e o médico. Muitas vezes, nas internações, nós vemos que esse vínculo pode se dar com qualquer outra pessoa da equipe: técnico de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista etc. O mais importante é que a equipe esteja atenta a discussão desse tema, esteja preparada para acolher as demandas dos pacientes e quando for necessário faça o devido encaminhamento que pode ser ao capelão do hospital ou a um líder religioso da sua comunidade seja judaica, espírita, cristã. A equipe de saúde deve ser a facilitadora do acesso do paciente aos seus assessores espirituais.

A nova pessoa que nasce depois de um câncer

Silhueta de mulher com os braços levantando em uma paisagem de entardecer.

Pacientes falam das transformações que a doença provoca e a força do compromisso pessoal, tema de abordagem da campanha mundial “Eu Sou e Eu Vou”.

Sabe aquela roupa nova que fica guardada esperando uma ocasião especial? E aquele vinho que aguarda o momento perfeito para ser apreciado? Um dos “efeitos colaterais” do câncer em muitos pacientes é mudar completamente essa forma de ver o mundo. Foi o que aconteceu com Marcos Fernando Flores Geremia, Charif Neto e Wanda Pinheiro, que entre seus relatos de luta contra o tumor revelam as importantes lições que a doença trouxe para um futuro melhor.

“Vou usar a roupa nova agora, vou tomar o vinho especial. Vamos comemorar o hoje”, diz Geremia, explicando a essência de sua forma de viver e ver o mundo após um diagnóstico de glioblastoma em 2009 e algumas cirurgias no cérebro para vencer o tumor. A doença foi descoberta depois de uma convulsão enquanto jogava futebol na praia. “Eu comecei a me sentir mal, suar, salivar bastante e desmaiei”, recorda Geremia, que tinha então 26 anos e foi levado ao hospital.

Recobrou-se a tempo para perceber que o diagnóstico do médico, de que ele tinha sofrido um AVC, não estava certo. “Eu sou fisioterapeuta e me dei conta de que não era aquilo”. Uma consulta ao neurologista revelou o câncer e no dia seguinte ele fez a primeira cirurgia. O paciente diz que o médico só tirou um pouco do tumor, pois temeu deixar sequelas.
Para dar sequência ao tratamento, deixou sua cidade, Caxias do Sul, em Porto Alegre, para consultar oncologista em São Paulo, onde ficou duas semanas fazendo exames. Passou por uma nova cirurgia, para tirar tudo. No dia seguinte, a ressonância de controle mostrou que ficou um pouco do tumor. “O médico falou: ‘já está com a cabeça aberta, vamos tirar o finalzinho’. No dia seguinte abriu de novo e tirou tudo”, conta, recordando a decisão imediata. “É preciso ter coragem; não dá pra ter medo. Tem que enfrentar. Precisa fazer? Vamos fazer”.

Com a mesma atitude decidida ele fez três meses de radioterapia em São Paulo e três anos de quimioterapia, quando o tumor voltou em 2015. Agora, faz acompanhamento a cada quatro meses. “A gente não sabe o dia de amanhã. De uma hora para outra pode voltar, posso ter que fazer cirurgia. Estou aproveitando a minha vida. Eu trabalhava muito, hoje não trabalho tanto. Quero chegar às 18 horas em casa, tomar chimarrão, ir para a academia, fazer exercício, ficar com a minha família. Quero passear e viajar muito com minha esposa, que era minha namorada havia duas semanas quando eu tive o diagnóstico e ficou ao meu lado, como meus pais. Valorizo muito as pessoas que me ajudaram. Parece que as coisas vêm como uma lição de vida”.

Força da atitude

A atitude de enfrentamento e combate ao câncer é uma das bandeiras defendidas pela ação do Dia Mundial do Câncer, celebrado 4 de fevereiro, liderado pela União Internacional para Controle do Câncer (UICC), da qual o Instituto Vencer o Câncer é um dos membros associados. O tema da nova campanha de três anos, que tem início em 2019, faz um apelo ao compromisso pessoal e representa o poder das ações para reduzir o impacto crescente do câncer: “Eu Sou e Eu Vou”.

Referindo-se ao tema, Charif responde prontamente para onde vai. “Estou indo para a vitória. Cada dia é uma vitória”. São muitos dias de vitória desde 2004, quando foi diagnosticado com câncer de próstata bastante avançado. “Um dos fatores para a cura é correr”, diz, lembrando que soube do tumor em uma sexta-feira e na segunda já estava na mesa de cirurgia. Exames posteriores demonstraram que ainda havia células de câncer na periferia da região. O paciente foi submetido a tratamento à base de hormônio e fez 33 sessões de radioterapia. Depois de quatro anos, descobriu um princípio de metástase óssea. Passou a tomar aplicações e fazer acompanhamento de três em três meses. “De um ano para cá a metástase regrediu”, comemora. “Estou muito bem. Sigo vida normal. Trabalho 12 horas por dia e viajo bastante”.

Depois da doença, passou a dedicar-se mais à atividade física – não praticava regularmente antes. Conta que também ficou mais religioso: pratica sempre e vai aos sermões. Ele atribui sua vitória diante do câncer a três fatores: “Fé em Deus primeiro; os médicos e a Medicina e a prática de atividade física. É o trio vencedor, junto com o apoio da família”. Charif destaca também a ação rápida assim que soube do diagnóstico e de seguir sistematicamente o tratamento. “Hoje me sinto tão bem, que quando o médico me pergunta como estou, digo a ele que nem sei porque estou ali. E questiono se preciso tomar aquelas injeções. Ele diz que sim, porque o tratamento precisa ser rigoroso”. E o paciente segue à risca: “Atitude faz toda diferença”.

Vai com fé

Wanda também segue todo dia para a vitória: “Eu coloco um salto agulha e vou”, brinca, referindo-se ao enfrentamento da neuropatia severa, que não lhe não permite sentir os pés da panturrilha para baixo, consequência do tratamento do mieloma com que foi diagnosticada em 2008. Ficou muito tempo com dor óssea lombar, anemia e cansaço, visitando vários especialistas sem ter um diagnóstico conclusivo, tratando como anemia e fibromialgia. “Para a dor lombar, mandavam entrar na academia, sair da academia, fazer pilates, sair do pilates. O cansaço eu achava que era porque estava chegando aos 50 anos, cansada pele idade. Fiquei assim por quase cinco anos”.

Teve o diagnóstico porque seu ortopedista é casado com uma hematologista. “Eu nem sabia o que era mieloma múltiplo. Quando recebi o diagnóstico, senti um impacto muito grande. Eu fiquei em uma cápsula e o mieloma em outra e fui tratando não como um câncer que ia me matar. Não senti tristeza, revolta, alegria, nada. Só perguntava o que precisava fazer – e fazia. Esse processo me defendeu da notícia. Só fixei que eu era uma paciente jovem que ia fazer transplante autólogo e ia ficar boa. Ia ser curada”.

A quimioterapia provocou fortes efeitos colaterais – como a neuropatia, que a levou ao hospital várias vezes. Outro medicamento causou diabetes tipo 1 enquanto fazia o tratamento, precisando de aplicações de insulina. “Eu não aguentava mais. Estava deformada, inchada, não tinha um pelo no corpo e sentia tanta fraqueza que não conseguia andar. No auge da dor, pedi a Deus um sinal verdadeiro ou que Ele me levasse. Abri a Bíblia de maneira súbita e desesperada”. O sinal veio no provérbio 3: ‘… guarde no coração os meus mandamentos, pois eles prolongarão a sua vida por muitos anos… Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos’.

Ela entendeu que Deus lhe daria anos de vida se confiasse Nele. “A partir daí, criei alma nova. Fui para o transplante de maneira suave, não senti mais nada. Minha vida nesses 10 anos é totalmente normal, como se nada tivesse”. Ela seguiu com o tratamento, faz rigorosamente o acompanhamento e sente-se feliz com as transformações em seu interior e que se refletem no exterior. “Eu era desconectada, trabalhava como workaholic, não tinha tempo para nada, nem para o lado espiritual nem para os meus filhos. Hoje me concentro nos verdadeiros valores da vida e tenho uma fé inabalável”.

Wanda conta que ficou mais sensível às sensações, à natureza, mais observadora em relação às outras pessoas e parou de cobrar resultados tanto dela mesma quanto dos filhos. Também melhorou a alimentação e pratica atividade física. Continua bastante ativa, mas seu tempo é dedicado em grande parte a ajudar outros pacientes oncológicos. “Descobri que é possível ser um sucesso sem perder a delicadeza, sem deixar de olhar a beleza da vida. Digo que é preciso viver o hoje. Sempre faço de um limão uma limonada. Nasci assim e aprimorei a técnica depois do câncer. Tudo é melhor quando você aprende que o azedo pode ser doce”.

Karl Lagerfeld (1933-2019): o génio provocador

Morreu o kaiser da Chanel. Lagerfeld marcou durante décadas o mundo da moda e fez a ponte entre o luxo e o prêt-à-porter.

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O designer da Chanel tinha 85 anos. Karl Lagerfeld é o rosto da moda de autor e de luxo da era pós-costureiros: o homem que simultaneamente estava nos dois mundos, o dos ateliers e rarefacção luxuosa da primeira metade do século XX e o do prêt-à-porter mais pop que simbolizou as grandes mudanças no sistema de moda nos últimos 30 anos.

Atingiu os píncaros da sua carreira — e, argumente-se, do seu talento — quando chegou à direcção da mais emblemática das maisons de mode, a Chanel, em 1983, e também aí ascendeu à popularidade que o tornou esse rosto conhecido por grande parte do mundo, mesmo aquele que não contacta com o universo da moda. As reacções à sua morte não se fizeram esperar. “Nunca esqueceremos o teu incrível talento e inspiração sem fim. Estávamos sempre a aprender contigo”, comentou Donatella Versace. Diane von Fürstenberg chamou-lhe um “génio provocador” e “uma testemunha tão perceptiva de tudo.

A sua imagem era a sua marca: óculos escuros, cabelo impecavelmente branco e penteado numa poupa com um laço de veludo, camisas brancas, anéis incontáveis nas mãos. O documentário Lagerfeld Confidential (2007) abria a gaveta dos seus anéis, mostrava-lhe as obsessões, a intimidade possível e permitia-lhe as grandiloquências. “A moda é efémera, perigosa e injusta”, postulava Karl Lagerfeld. Sobre si, um poliglota e um leitor voraz, dizia ser “um improviso total”.