Trabalhar a espiritualidade é benéfico para o paciente oncológico

mulher espiritualidade

Quando se passa por um trauma, por uma doença grave ou por uma grande perda, surgem a dor, o medo, os questionamentos sobre a vida, o sofrimento. “Trabalhar com a espiritualidade permite muitas vezes que se encontre um novo significado daquilo que se está vivendo”, diz o oncologista do hospital A Beneficência Portuguesa e colaborador do Instituto Vencer o Câncer, Felipe Moraes Toledo Pereira.

A atenção à espiritualidade está ganhando espaço em centros oncológicos e benefícios aos pacientes já são observados, como diminuição de índices depressão, maior controle da ansiedade e mais comprometimento com o tratamento. E o paciente não precisa ter necessariamente uma religião para trabalhar sua espiritualidade. “Mesmo nas pessoas que não têm religião, a espiritualidade pode e deve ser alimentada. Existem formas de acessar a espiritualidade através da música, da arte, através da meditação”, explica o oncologista.

A seguir, você lê a entrevista que o oncologista Felipe Moraes Toledo Pereira concedeu ao Instituto Vencer o Câncer:

Dr Felipe, qual é a relação entre câncer e espiritualidade? De que forma desenvolver a espiritualidade pode ajudar o paciente oncológico?

Os pacientes que estão enfrentando um câncer, muito comumente, diante de uma situação difícil como essa, levantam questionamentos sobre seu próprio sentido de vida e o propósito pelo qual estão aqui. Isso, por vezes, pode ser fonte de sofrimento espiritual. Por vezes, pode ser fonte de uma perda da esperança em algo que faz, que dê um valor maior e mais amplo a sua própria vida. Nesse sentido, trabalhar e lidar com a espiritualidade permite muitas vezes que se encontre um novo significado daquilo que se está vivendo, a partir de uma perspectiva da transcendência, a partir de um encontro com a divindade, com Deus, com uma força cósmica, isso é particular de cada um. E o que a gente observa em vários estudos é que, conforme as pessoas encontram sentido e propósito no que estão vivendo e ressignificam sua vida a partir de uma relação saudável com o transcendente, com aquilo que chama de sagrado, isso faz com que certos sintomas, como depressão, ansiedade e dor, melhorem no seu controle não só com a terapêutica tradicional, mas também lidando com a espiritualidade.

Muitos pacientes se culpam por estar doentes, outros questionam por que aconteceu com eles. Trabalhar a espiritualidade pode ajudar o paciente a ter respostas que a medicina não oferece a ele?

A questão da espiritualidade está relacionada com o porquê das coisas. Então, é evidente que diante de uma doença grave como câncer, as pessoas poderão fazer questionamentos que muitas vezes são resolvidos pela equipe de uma maneira muito prática. Então, eu tenho um câncer de pulmão muito provavelmente porque passei a vida fumando ou porque tenho exposição grande a fatores de risco. Porém, essa explicação, que para nós da área da saúde parece suficiente, muitas vezes no universo pessoal de cada um não é a solução. Muitas vezes, a resposta a essa pergunta é muito mais profunda. Muitas vezes, as pessoas querem entender o significado mais amplo daquele fato, daquele acontecimento dentro da sua vida. E quando isso não vem claramente, isso gera uma sensação de desesperança e desespero muito grande. Então, buscar respostas para o sofrimento é uma forma de enfrentá-lo de maneira mais altiva e resiliente. Então, acho que sim, que cuidar da espiritualidade durante o adoecimento permite enfrentar a doença de uma melhor maneira, obtendo melhores resultados.

Como o médico pode introduzir o tema ao paciente?

A equipe de saúde deve agir como sendo uma facilitadora da questão da espiritualidade. Nenhum de nós, evidentemente, quer ter papel de líder religioso ou assistente religioso das pessoas, não se trata disso. Se trata de criar espaço dentro de consultórios, hospitais e ambulatórios para que esse tema seja discutido e que se possa fazer encaminhamentos e orientações. Quando as pessoas trazem esse tema para equipe, a equipe não deve relegá-lo ao segundo plano, mas deve sim valorizá-lo e encaminhá-lo.

 

E como se trabalha a espiritualidade? Pela religião? E pacientes que não têm religião, como podem fazer isso?

Existem várias formas. A religião é para maioria das pessoas o principal caminho de alimento da espiritualidade; então através das práticas de determinados rituais, de determinadas leituras, orações ou outras ações litúrgicas, as pessoas encontram significado e conexão com o Sagrado e o transcendente. Mas há pessoas que, de fato, não têm religião ou não acreditam em Deus. Mesmo assim a espiritualidade pode e deve ser alimentada. Existem formas de acessar a espiritualidade através da música, da arte, da meditação, que não necessariamente estão conectadas a uma estrutura religiosa específica. Mesmo em pessoas que não consideram a probabilidade da existência de Deus, essas pessoas inevitavelmente colocam na sua vida determinados pontos como sagrados: seja sua família, seja seu legado profissional e financeiro, o que quer que seja. E reestruturar a maneira como a pessoa entende a sua vida e entende esse desafio (o câncer), pode fazer com que ela tenha um menor sofrimento e saia vitoriosa de uma doença como essa.

É necessário o acompanhamento de um profissional, de um líder, de alguém que oriente o paciente?

O acompanhamento é interprofissional, inter-religioso e ecumênico, ou seja, quando você lida com a espiritualidade não necessariamente a conexão, o vínculo empático se fará entre o paciente e o médico. Muitas vezes, nas internações, nós vemos que esse vínculo pode se dar com qualquer outra pessoa da equipe: técnico de enfermagem, fisioterapeuta, nutricionista etc. O mais importante é que a equipe esteja atenta a discussão desse tema, esteja preparada para acolher as demandas dos pacientes e quando for necessário faça o devido encaminhamento que pode ser ao capelão do hospital ou a um líder religioso da sua comunidade seja judaica, espírita, cristã. A equipe de saúde deve ser a facilitadora do acesso do paciente aos seus assessores espirituais.

A nova pessoa que nasce depois de um câncer

Silhueta de mulher com os braços levantando em uma paisagem de entardecer.

Pacientes falam das transformações que a doença provoca e a força do compromisso pessoal, tema de abordagem da campanha mundial “Eu Sou e Eu Vou”.

Sabe aquela roupa nova que fica guardada esperando uma ocasião especial? E aquele vinho que aguarda o momento perfeito para ser apreciado? Um dos “efeitos colaterais” do câncer em muitos pacientes é mudar completamente essa forma de ver o mundo. Foi o que aconteceu com Marcos Fernando Flores Geremia, Charif Neto e Wanda Pinheiro, que entre seus relatos de luta contra o tumor revelam as importantes lições que a doença trouxe para um futuro melhor.

“Vou usar a roupa nova agora, vou tomar o vinho especial. Vamos comemorar o hoje”, diz Geremia, explicando a essência de sua forma de viver e ver o mundo após um diagnóstico de glioblastoma em 2009 e algumas cirurgias no cérebro para vencer o tumor. A doença foi descoberta depois de uma convulsão enquanto jogava futebol na praia. “Eu comecei a me sentir mal, suar, salivar bastante e desmaiei”, recorda Geremia, que tinha então 26 anos e foi levado ao hospital.

Recobrou-se a tempo para perceber que o diagnóstico do médico, de que ele tinha sofrido um AVC, não estava certo. “Eu sou fisioterapeuta e me dei conta de que não era aquilo”. Uma consulta ao neurologista revelou o câncer e no dia seguinte ele fez a primeira cirurgia. O paciente diz que o médico só tirou um pouco do tumor, pois temeu deixar sequelas.
Para dar sequência ao tratamento, deixou sua cidade, Caxias do Sul, em Porto Alegre, para consultar oncologista em São Paulo, onde ficou duas semanas fazendo exames. Passou por uma nova cirurgia, para tirar tudo. No dia seguinte, a ressonância de controle mostrou que ficou um pouco do tumor. “O médico falou: ‘já está com a cabeça aberta, vamos tirar o finalzinho’. No dia seguinte abriu de novo e tirou tudo”, conta, recordando a decisão imediata. “É preciso ter coragem; não dá pra ter medo. Tem que enfrentar. Precisa fazer? Vamos fazer”.

Com a mesma atitude decidida ele fez três meses de radioterapia em São Paulo e três anos de quimioterapia, quando o tumor voltou em 2015. Agora, faz acompanhamento a cada quatro meses. “A gente não sabe o dia de amanhã. De uma hora para outra pode voltar, posso ter que fazer cirurgia. Estou aproveitando a minha vida. Eu trabalhava muito, hoje não trabalho tanto. Quero chegar às 18 horas em casa, tomar chimarrão, ir para a academia, fazer exercício, ficar com a minha família. Quero passear e viajar muito com minha esposa, que era minha namorada havia duas semanas quando eu tive o diagnóstico e ficou ao meu lado, como meus pais. Valorizo muito as pessoas que me ajudaram. Parece que as coisas vêm como uma lição de vida”.

Força da atitude

A atitude de enfrentamento e combate ao câncer é uma das bandeiras defendidas pela ação do Dia Mundial do Câncer, celebrado 4 de fevereiro, liderado pela União Internacional para Controle do Câncer (UICC), da qual o Instituto Vencer o Câncer é um dos membros associados. O tema da nova campanha de três anos, que tem início em 2019, faz um apelo ao compromisso pessoal e representa o poder das ações para reduzir o impacto crescente do câncer: “Eu Sou e Eu Vou”.

Referindo-se ao tema, Charif responde prontamente para onde vai. “Estou indo para a vitória. Cada dia é uma vitória”. São muitos dias de vitória desde 2004, quando foi diagnosticado com câncer de próstata bastante avançado. “Um dos fatores para a cura é correr”, diz, lembrando que soube do tumor em uma sexta-feira e na segunda já estava na mesa de cirurgia. Exames posteriores demonstraram que ainda havia células de câncer na periferia da região. O paciente foi submetido a tratamento à base de hormônio e fez 33 sessões de radioterapia. Depois de quatro anos, descobriu um princípio de metástase óssea. Passou a tomar aplicações e fazer acompanhamento de três em três meses. “De um ano para cá a metástase regrediu”, comemora. “Estou muito bem. Sigo vida normal. Trabalho 12 horas por dia e viajo bastante”.

Depois da doença, passou a dedicar-se mais à atividade física – não praticava regularmente antes. Conta que também ficou mais religioso: pratica sempre e vai aos sermões. Ele atribui sua vitória diante do câncer a três fatores: “Fé em Deus primeiro; os médicos e a Medicina e a prática de atividade física. É o trio vencedor, junto com o apoio da família”. Charif destaca também a ação rápida assim que soube do diagnóstico e de seguir sistematicamente o tratamento. “Hoje me sinto tão bem, que quando o médico me pergunta como estou, digo a ele que nem sei porque estou ali. E questiono se preciso tomar aquelas injeções. Ele diz que sim, porque o tratamento precisa ser rigoroso”. E o paciente segue à risca: “Atitude faz toda diferença”.

Vai com fé

Wanda também segue todo dia para a vitória: “Eu coloco um salto agulha e vou”, brinca, referindo-se ao enfrentamento da neuropatia severa, que não lhe não permite sentir os pés da panturrilha para baixo, consequência do tratamento do mieloma com que foi diagnosticada em 2008. Ficou muito tempo com dor óssea lombar, anemia e cansaço, visitando vários especialistas sem ter um diagnóstico conclusivo, tratando como anemia e fibromialgia. “Para a dor lombar, mandavam entrar na academia, sair da academia, fazer pilates, sair do pilates. O cansaço eu achava que era porque estava chegando aos 50 anos, cansada pele idade. Fiquei assim por quase cinco anos”.

Teve o diagnóstico porque seu ortopedista é casado com uma hematologista. “Eu nem sabia o que era mieloma múltiplo. Quando recebi o diagnóstico, senti um impacto muito grande. Eu fiquei em uma cápsula e o mieloma em outra e fui tratando não como um câncer que ia me matar. Não senti tristeza, revolta, alegria, nada. Só perguntava o que precisava fazer – e fazia. Esse processo me defendeu da notícia. Só fixei que eu era uma paciente jovem que ia fazer transplante autólogo e ia ficar boa. Ia ser curada”.

A quimioterapia provocou fortes efeitos colaterais – como a neuropatia, que a levou ao hospital várias vezes. Outro medicamento causou diabetes tipo 1 enquanto fazia o tratamento, precisando de aplicações de insulina. “Eu não aguentava mais. Estava deformada, inchada, não tinha um pelo no corpo e sentia tanta fraqueza que não conseguia andar. No auge da dor, pedi a Deus um sinal verdadeiro ou que Ele me levasse. Abri a Bíblia de maneira súbita e desesperada”. O sinal veio no provérbio 3: ‘… guarde no coração os meus mandamentos, pois eles prolongarão a sua vida por muitos anos… Isto será saúde para o teu âmago, e medula para os teus ossos’.

Ela entendeu que Deus lhe daria anos de vida se confiasse Nele. “A partir daí, criei alma nova. Fui para o transplante de maneira suave, não senti mais nada. Minha vida nesses 10 anos é totalmente normal, como se nada tivesse”. Ela seguiu com o tratamento, faz rigorosamente o acompanhamento e sente-se feliz com as transformações em seu interior e que se refletem no exterior. “Eu era desconectada, trabalhava como workaholic, não tinha tempo para nada, nem para o lado espiritual nem para os meus filhos. Hoje me concentro nos verdadeiros valores da vida e tenho uma fé inabalável”.

Wanda conta que ficou mais sensível às sensações, à natureza, mais observadora em relação às outras pessoas e parou de cobrar resultados tanto dela mesma quanto dos filhos. Também melhorou a alimentação e pratica atividade física. Continua bastante ativa, mas seu tempo é dedicado em grande parte a ajudar outros pacientes oncológicos. “Descobri que é possível ser um sucesso sem perder a delicadeza, sem deixar de olhar a beleza da vida. Digo que é preciso viver o hoje. Sempre faço de um limão uma limonada. Nasci assim e aprimorei a técnica depois do câncer. Tudo é melhor quando você aprende que o azedo pode ser doce”.

Karl Lagerfeld (1933-2019): o génio provocador

Morreu o kaiser da Chanel. Lagerfeld marcou durante décadas o mundo da moda e fez a ponte entre o luxo e o prêt-à-porter.

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O designer da Chanel tinha 85 anos. Karl Lagerfeld é o rosto da moda de autor e de luxo da era pós-costureiros: o homem que simultaneamente estava nos dois mundos, o dos ateliers e rarefacção luxuosa da primeira metade do século XX e o do prêt-à-porter mais pop que simbolizou as grandes mudanças no sistema de moda nos últimos 30 anos.

Atingiu os píncaros da sua carreira — e, argumente-se, do seu talento — quando chegou à direcção da mais emblemática das maisons de mode, a Chanel, em 1983, e também aí ascendeu à popularidade que o tornou esse rosto conhecido por grande parte do mundo, mesmo aquele que não contacta com o universo da moda. As reacções à sua morte não se fizeram esperar. “Nunca esqueceremos o teu incrível talento e inspiração sem fim. Estávamos sempre a aprender contigo”, comentou Donatella Versace. Diane von Fürstenberg chamou-lhe um “génio provocador” e “uma testemunha tão perceptiva de tudo.

A sua imagem era a sua marca: óculos escuros, cabelo impecavelmente branco e penteado numa poupa com um laço de veludo, camisas brancas, anéis incontáveis nas mãos. O documentário Lagerfeld Confidential (2007) abria a gaveta dos seus anéis, mostrava-lhe as obsessões, a intimidade possível e permitia-lhe as grandiloquências. “A moda é efémera, perigosa e injusta”, postulava Karl Lagerfeld. Sobre si, um poliglota e um leitor voraz, dizia ser “um improviso total”.

A lição de vida dos pacientes oncológicos

Silhueta de mulher com os braços levantando em uma paisagem de entardecer.

Pacientes e pesquisa do Inca confirmam mudanças que o câncer traz: valorizar as coisas simples, ter mais fé e cultivar hábitos saudáveis. Esses ensinamentos podem servir para todos.

“Ficar perto das pessoas que eu gosto, dar mais valor às coisas simples da vida. Não precisa esperar os grandes momentos”. Assim Paula Mara De Assis Palma resume as principais transformações pelas quais passou após ter um câncer. E faz questão de destacar: “Mas não tem a ver com o câncer. A gente tem que fazer o que gosta, porque isso torna a vida mais leve”. Para comentar seus pequenos e grandes prazeres, ela cita comer milho na praia, jogar tênis e trabalhar. “Tenho prazer de estar trabalhando”.

Paula credita ao trabalho, inclusive, um dos motivos do sucesso dos seus tratamentos – que não foram poucos, já que ela teve três recidivas, ficou careca três vezes, passou por nove cirurgias; chegou a ficar de alta seis anos antes de um retorno do tumor e agora está de alta há cinco anos. “Ter trabalhado o tempo todo me fez bem. Achava que ocupando a minha cabeça não sobrava tempo para pensar na doença. O tratamento era como uma reunião que eu precisava participar”.

A busca por redefinir o que realmente é fundamental e quais pessoas queremos ao nosso lado na vida está ligada ao processo de reformulação de valores e comportamentos que a doença traz. Essa foi uma das conclusões do estudo ‘Compreendendo a Sobrevivência ao Câncer na América Latina: os casos do Brasil’ apresentado pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Ministério da Saúde no Dia Mundial do Câncer, criado pela União Internacional para Controle do Câncer (UICC), da qual o Instituto Vencer o Câncer é um dos membros associado.

Com o objetivo de detalhar experiências e necessidades do grupo de sobreviventes da doença, que cresce de forma significativa, os pesquisadores brasileiros entrevistaram 47 indivíduos diagnosticados há pelo menos 12 meses com câncer de próstata, mama, colo do útero e Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e 12 familiares/cuidadores, em hospitais das redes pública e privada no Rio de Janeiro e em Fortaleza em 2014 e 2015.

Outra importante conclusão do trabalho: pacientes que sobreviveram ao câncer e familiares buscam hábitos mais saudáveis de vida. A maioria dos participantes reavaliou seu estilo de vida e muitos optaram por comportamentos mais saudáveis. Tanto pacientes quanto familiares citaram mudanças na alimentação, com a adoção de dietas mais saudáveis e relataram o início da prática de atividades físicas, além de passar a fazer exames médicos periódicos.

Mudando para melhor

O CASAMENTO

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ALMITRA falou de novo e disse:
– Mestre, que pensais do Casamento?

Ele respondeu, dizendo:

– Nascestes juntos,
juntos ficareis para sempre.

Ficareis juntos
quando as asas brancas da morte
dispersarem os vossos dias.

Sim. Ficareis juntos
até na silenciosa memória de Deus.

Mas que haja espaço na vossa comunhão;
e que os ventos do céu
dancem no meio de vós.

Amai-vos um ao outro,
mas não façais do amor um empecilho:
seja antes um mar vivo
entre as praias das vossas almas.

Enchei cada um o copo do outro,
mas não bebais por um só copo.

Partilhai o pão;
mas não comais do mesmo bocado.

Cantai e dançai juntos, sede alegres;
mas permaneça cada um sozinho,
como estão sozinhas as cordas do alaúde
enquanto nelas vibra a mesma harmonia.

Dai os vossos corações;
mas não a guardar um ao outro.

Porque só a mão da Vida
pode conter os vossos corações.

Mantende-vos juntos,
mas nunca demasiado próximos:
porque os pilares do templo
elevam-se, distanciados,
e o carvalho e o cipreste
não crescem à sombra um do outro.
.

in “O Profeta”
de Khalil Gibran
Texto escrito há quase cem anos.

Conheça O Milagre da Manhã: principais pontos do livro

Felicidade, saúde, dinheiro, liberdade, sucesso, amor… Parece um sonho? O autor do livro “O Milagre da Manhã”, Hal Elrod, garante que você pode ter tudo sim. E isso não tem nada a ver com sorte.

Milagre da Manhã

Segundo Elrod, tornou-se um hábito para a maioria das pessoas contentar-se passivamente com o que a vida lhes oferece. Elas acreditam que ter uma vida mediana é aceitável e o esperado.

No entanto, alerta Elrod, almejar o nível máximo de saúde, trabalho e relacionamentos deveria ser o desejo de todos nós. Ou seja, essa precisa ser a força que nos move a cada manhã.

Uma vida de altos e baixos

Elrod aprendeu com a vida a desafiar as dificuldades e construir o próprio caminho. Ele vivenciou o sucesso como representante de vendas, mas foi “atropelado” por um grave acidente que deixou sequelas físicas e psicológicas.

No entanto, o autor de “O Milagre da Manhã” venceu essa barreira e se destacou novamente, desta vez com o coaching. Nessa etapa, o trabalho dele era focado em apoiar pessoas na conquista das suas metas.

Tudo ia bem com os planos de Elrod, mas a vida lhe “pregou outra peça”. A crise de 2008 o levou novamente para o “fundo do poço”.

O milagre da manhã

Elrod vivenciava mais um momento de crise. No entanto, ele decidiu seguir o conselho de um amigo e saiu de casa para correr. Foi então que o seu próprio “milagre da manhã” começou.

As mudanças vêm quando assumimos as rédeas das nossas vidas, definindo os trajetos e nos responsabilizando totalmente pelos nossos atos. Tudo isso, tendo em mente que qualquer problema é superável, garante Elrod .

Para vivenciar o “milagre da manhã” é imprescindível enxergar o momento atual como o lugar onde devemos estar para aprender, amadurecer e nos prepararmos para algo maior. Ou seja, encarar o presente como oportunidade de crescimento.

E não existe trajetória sem desafios.

Benefícios dessa jornada

Milagre da manhã

As pessoas que se dedicam aos seus projetos e ao “milagre da manhã” têm muitos ganhos, e Elrod enumera alguns deles. Veja:

  • Mais energia ao despertar, dotado de uma estrutura e estratégia para começar a maximizar o seu potencial;
  • Redução do estresse e melhora da saúde em geral;
  • Maior clareza para superar rapidamente os desafios da jornada;
  • Melhora na produtividade e na concentração;
  • Oportunidade de experimentar mais gratidão e menos preocupação;
  • Descoberta de um propósito de vida;
  • Aprender a não se contentar com menos do que realmente deseja e merece e começar a viver de acordo com seu propósito;
  • Aumento significativo da capacidade de ganhar e atrair mais riqueza monetária.

Primeiro passo para o seu milagre da manhã

milagre da manhã

Como já foi mencionado, grande parte das pessoas (95%, segundo o autor) contenta-se com menos do que um dia sonhou. Por isso, elas sentem-se fisicamente exaustas, solitárias, deprimidas ou ansiosas.

Essas pessoas ganham menos do que gostariam, gastam mais do que deveriam e não conseguem manter as finanças e a vida em ordem.

integrar o seleto grupo dos 5% restantes que maximizam o próprio potencial é um escolha que só depende de você.

Segundo passo para o seu milagre da manhã

Milagre da manhã

Para não cair na armadilha da mediocridade, identifique as razões que o levam por esse caminho limitado. Busque alternativas/soluções e invista em um planejamento de vida.

Você já ouviu falar da “síndrome do espelho retrovisor”? Trata-se de um hábito de ficar olhando para o passado, acreditando que quem fomos é quem somos, encolhendo o nosso potencial no presente.

A saída para isso é viver sem as barreiras do passado e olhar a vida com possibilidades sem fim. Afinal, o seu futuro não precisa repetir o passado.

Permita-se pensar grande, voar alto e tenha clareza sobre o que você deseja para sua vida. Repita isso para si, mesmo que não acredite inicialmente, e sua mente acabará absorvendo a afirmação.

Veja outras dicas para fugir da mediocridade:

Tenha propósitos de vida

Tenha mais de um e comece com algo simples, como por exemplo: “sorrir mais para que possa trazer felicidade para a minha vida e para as pessoas ao meu redor.” Mude o seu propósito sempre que achar necessário e permita-se evoluir.

Isole incidentes

Sabe aquela mania de achar que nossas escolhas e ações afetam apenas o momento atual? Pois, esqueça isso. Devorar um sanduíche gigante, pensando em recuperar o prejuízo no dia seguinte é uma péssima ideia. Assim, escolha o caminho certo e não o mais fácil, moldando uma identidade de perseverança e disciplina, para ser capaz de alcançar resultados extraordinários.

Abrace um alto grau de responsabilidade

Muitas vezes temos que fazer coisas das quais não gostamos ou não queremos. Mas, se for importante, faça. Uma dica é obter um parceiro de responsabilização, que pode ser um amigo ou um familiar. Encontre alguém que se empenhe no “milagre da manhã”, incentivando um encorajamento mútuo.

Fuja das influências medíocres

Pesquisas apontam que nos tornamos como a média das 5 pessoas com quem passamos mais tempo. Ou seja, viver cercado de pessoas preguiçosas aumenta em muito as chances de você seguir pelo mesmo caminho. A solução do “milagre da manhã” é investir os seus preciosos minutos ao lado de pessoas realizadoras, otimistas.

Invista no seu desenvolvimento pessoal

O seu nível de sucesso está diretamente relacionado ao seu nível de desenvolvimento pessoal – conhecimentos, habilidades, hábitos etc. Então, dedique um tempo diário para o seu crescimento.

Tenha urgência em melhorar a si mesmo

Combata a procrastinação e lembre-se que o agora importa mais do que qualquer outro tempo.

Terceiro passo para o seu milagre da manhã

O que deverá ser feito de diferente a partir de hoje para aprender, crescer e construir uma versão melhor da atual? Pense sobre isso e comprometa-se com os seus resultados. Assim, uma vida extraordinária virá como consequência.

Durma bem e planeje o tempo de ir para a cama para que possa acordar mais cedo todos os dias. Mudar a sua crença de quantas horas de sono você necessita para estar descansado pode ser a chave para manhãs mais produtivas e dispostas.

O “milagre da manhã” tem o objetivo de recriar diariamente a experiência das manhãs de natal, de acordar sentindo-se energizado e empolgado. Trata-se de levantar-se da cama com um propósito.

Milagre da manhã

Quer algumas dicas de como fazer isso? Veja:

  • Antes de dormir, crie expectativas positivas sobre o dia seguinte.
  • Coloque seu despertador longe o suficiente para fazer você levantar-se para desligá-lo. A movimentação ajuda a acordar naturalmente.
  • Escove os dentes imediatamente após desligar o despertador.
  • Beba água para combater a desidratação que gera cansaço.
  • Inicie o dia com atividade física para maximizar o seu potencial. Então, ao sair da cama, vista roupas de ginástica e mexa-se.

Práticas para quem almeja atingir 100% do seu potencial

As práticas descritas no livro “O Milagre da Manhã”  são ferramentas de desenvolvimento pessoal para quem almeja atingir potencial máximo.

Prática 1 – Silêncio

Milagre da manhã

Comece cada manhã com um período de silêncio intencional. Isso alivia a agitação enquanto aumenta a autoconsciência. Escolha algo que combina com você, como meditação, oração, reflexão, gratidão etc.

Prática 2 – Afirmações

Escolha conscientemente não reviver medos e limitações do passado. Repetir afirmações positivas em voz alta todos os dias faz com que elas sejam fixadas em sua mente, sendo uma poderosa arma para modificar crenças e substituir comportamentos limitantes por outros necessários para alcançar o sucesso.

Prática 3 – Visualização

Milagre da manhã

A visualização criativa foca no futuro desejado. Após ler suas afirmações, visualize-as. Prepare-se para esse momento, sente-se ereto e respire profundamente. Com os olhos fechados, limpe a mente e inicie a visualização dos seus sonhos. Comece dedicando cerca de 5 minutos por dia.

Prática 4 – Exercícios

Atividades físicas pela manhã aumentam a energia, a clareza mental, a autoconfiança, o bem-estar emocional, melhora a saúde e a concentração. Desta forma, deixe de lado as desculpas e invista em sua qualidade de vida.

Prática 5 – Leitura

Milagre da manhã

A leitura diária é a forma mais imediata de adquirir conhecimento. Então, desenvolva o hábito de ler pelo menos 15 minutos por dia.

Prática 6 – Escrever

Faça um diário durante o seu “milagre da manhã”. Apenas 10 minutos são suficientes. Isso o obrigará a pensar mais sobre os assuntos em questão.

Customize o seu milagre da manhã

Sua rotina matinal deve ser de acordo com a sua preferência. Você pode encaixar um “milagre da manhã” de 20 a 30 minutos ou optar por um tempo mais longo nos finais de semana.

Veja um exemplo de 60 minutos de práticas:

  • Silêncio (5 minutos)
  • Afirmações (5 minutos)
  • Visualização (5 minutos)
  • Exercícios (20 minutos)
  • Leitura (20 minutos)
  • Escrever (5 minutos)

Uma versão para quem não tem tempo

O “milagre da manhã” pode ser executado em 6 minutos, de maneira prática. No entanto, o autor recomenda utilizar essa versão apenas nos dias de muita correria.

  • Minuto 1: Silêncio proposital, imaginando você mesmo acordando tranquilamente. Agradeça, medite ou faça uma oração.
  • Minuto 2: Leia suas afirmações diárias.
  • Minuto 3: Visualizar seus objetivos sendo alcançados.
  • Minuto 4: Escreva algo pelo que é grato e os resultados que está comprometido a alcançar naquele dia.
  • Minuto 5: Leia um livro de autoajuda.
  • Minuto 6: Mova seu corpo por 60 segundos.

Apesar do nome, o “milagre da manhã” não precisa acontecer necessariamente pela manhã. A essência da prática continua sendo acordar um período mais cedo do que de costume.

Você deve considerar ainda:

  • A alimentação saudável é algo a ser levado em consideração.
  • É possível começar o “milagre da manhã” apenas nos dias de semana.
  • Sua rotina matinal deve ser atualizada sempre que necessário.
  • Uma mudança de hábitos de forma natural pode levar até 30 dias.

Gratidão gera gratidão: quanto mais agradecemos, mais recebemos

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Vivemos constantemente na busca pelo melhor. Nem sempre conseguimos tudo que queremos, mas estamos sempre tentando chegar ao topo. De uma forma ou de outra, nunca estamos plenamente satisfeitos.

Se por um lado obtemos êxito em nossas atividades, por outro reclamamos de não ganhar o suficiente por ela. Se estamos com a vida financeira estável, lamentamos pelo amor não correspondido. Se o amor flui, parece que as amizades se acabam. E assim, passamos a nos corresponder com a vida sempre pela metade. Pedimos, pedimos e pedimos. Nunca agradecemos! São raras as pessoas que apreciam de verdade o que possuem.O que a maioria de nós não percebe é que gratidão gera gratidão, e a falta dela também semeia algo. Se não somos capazes de agradecer pelo que temos, não estamos abertos a receber mais. A vida é um ciclo e a matemática é simples: quanto mais agradecemos, mais obtemos!Às vezes, ficamos tão focados em pedir, que esquecemos de olhar para o que já temos. E muitas vezes o que temos já nos basta. Pode até parecer pouco, mas nem sempre o muito é o responsável pela felicidade!

Você já agradeceu hoje? Agradeceu por ter acordado mais um dia? Pela saúde, pelo teto que o abriga, pela comida na mesa, pelas pessoas ao redor?

Lembrou de agradecer por cada bom momento, pelo aprendizado diário, pelas lembranças que carrega, pela bagagem construída até aqui?

Se tem dinheiro, agradeça a fartura, se não tem, agradeça à possibilidade de valorizar o que não é material. Se tem amor, agradeça pelo sentimento recíproco; se não tem, agradeça por se amar e cuidar de você, enquanto ele não vem. Se tem amigos, agradeça pela companhia deles; se não tem, agradeça pela oportunidade de conhecer gente nova. Se tem emprego, agradeça pelo seu ganha pão; se não tem, agradeça por ter saúde para procurar uma vaga.

Em outras palavras: procure sempre ver os dois lados. Você pode ser feliz com o que possui.

É claro que estamos aqui para crescer e prosperar, mas isso não muda o fato de que devemos ser gratos por tudo o que já conquistamos. É assim que somos retribuídos. Semeamos gratidão e colhemos bons frutos!Nem sempre é fácil não se ter o que deseja, mas nem tudo o que queremos é, de fato, o que precisamos. Tudo tem sua hora certa para acontecer, todo trabalho gera um resultado no final, toda procura se acha, toda oração é atendida. Basta acolhermos com amor, regarmos o progresso de cada dia e ficarmos abertos às novas energias, pois, com elas, novas oportunidades chegarão!

Pare de se prender ao que ainda não tem e procure gratidão pelas coisas que já são suas.