Preguiça de discutir

“Mudei porque, entre ter razão e ser feliz, prefiro a segunda opção. Quero viver bem, sem me estressar por conta de um comentário infeliz feito por uma pessoa infeliz. Passados cinco minutos, nem me lembrava mais. E pensar que um dia eu tinha a resposta na ponta da língua a tudo e a todos. Como mudamos…”

Nestes dias turbulentos, quando a maioria das pessoas parece estar com os ânimos exaltados por conta dos últimos episódios da política brasileira, fui agredida num post da rede social por conta de uma frase em que eu fazia uma analogia entre um dito popular e o atual momento socioeconômico do País. Não citei nomes, não ofendi ninguém, não comecei briga e muito menos destilei ódio. Mas um pequeno post bastou para uma pessoa me ofender. Tive muita vontade de responder, mas não o fiz. Por quê? Preguiça. Muita preguiça: de responder, dar atenção, debater, explicar e comprar briga. Ultimamente ando assim: pequenas causas se transformam em grandes esforços, principalmente quando chego em casa morta de cansaço, sem a menor disposição para discutir e responder o post de um tolo qualquer que se coloca acima do bem e do mal para julgar e ofender.

Tenho observado que, à medida que o tempo vai passando, tenho ficado com preguiça de sofrer por causa de coisas pequenas, de gente chata e raivosa que transforma um pingo d’água num oceano de problemas. A propósito, nem convivência estou me permitindo, porque tudo o que mais quero é gente positiva do meu lado. Eu poderia ter dado espaço para um bate-boca virtual sem fim com aquela pessoa tão mal resolvida. Mas, volto a escrever: que preguiça! E tem sido assim na reunião de condomínio, no trânsito, no caixa do supermercado, no restaurante, na loja, no meu dia a dia. Não estou disposta a rebater respostas grosseiras, a reclamar da falta de treinamento, a enfrentar estopim curto, a aguentar falta de educação, a suportar pessoa mal-humorada. Fiz essa opção. Não dou importância para as coisas rotineiras que insistem em tirar a minha paz.

Nesta era digital a gente percebe que, em vez de falar mais que a boca, as pessoas estão teclando mais que os dedos, e as ofensas correm soltas, o veneno nas palavras reflete a ira e a falta de respeito. Se o ponto de vista diverge, é o que basta para uma sucessão de indiretas e grosserias. E a falta de paciência está instalada, gerando amizades desfeitas, mal-entendidos, mágoas que duram um tempão. As pessoas brigam na internet por coisa pouca, quando a vida é muito mais do que isso.

Não se importar, ignorar e relevar é um exercício diário. Ninguém consegue isso do dia para a noite. É necessário ter domínio próprio e focar naquilo que realmente vale a pena. Mudei porque, entre ter razão e ser feliz, prefiro a segunda opção. Quero viver bem, sem me estressar por conta de um comentário infeliz feito por uma pessoa infeliz. Passados cinco minutos, nem me lembrava mais. E pensar que um dia eu tinha a resposta na ponta da língua a tudo e a todos. Como mudamos… Pena que descobrimos a arte de calar e de ignorar muito tarde, com certeza eu teria evitado desavenças e dores de cabeça. Uma última dica: se o assunto persiste e não edifica, há duas maneiras simples: bloquear e sair de perto. A gente só passa raiva se quiser.

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