COISAS QUE EU APRENDI MORANDO FORA DO BRASIL.

Atenção: este post é (completamente) baseado em fatos reais. Já faz uns bons  quase quatro anos desde que embarquei para longe do Brasil e, apesar de achar um máximo morar longe do nosso país , ainda tô caminhando aos tropeços e tentando me habituar as novas  peculiaridades.

Você vai gastar dinheiro com coisas idiotas

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Mais dinheiro do que gostaria, na verdade. E vai se odiar um pouco por isso, mas não é culpa sua. Por melhor que seja seu planejamento, sempre que a gente se muda fica meio desorientado e não sabe muito bem por onde começar, que supermercado é melhor, qual marca de pão presta, se é normal a imobiliária cobrar 70 dólares para desentupir sua pia etc.

A internet ajuda? E muito. Mas a verdade é que ninguém te prepara para o choque que é gastar 184 dólares  ao fazer cópias novas das chaves de casa que você perdeu – e, pior, descobrir que esse preço é normal no país.

O nacionalismo vem quando a gente menos espera

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Nunca me considerei uma pessoa patriota, veja bem. Não tenho roupa das cores do Brasil, não tenho costume de comer feijoada de domingo, não sei nada sobre samba e tampouco bossa nova. Mas tem alguma coisa sobre estar morando em outro país que te faz pensar em como é bom entrar em um boteco e comer um PF, como o melhor do Brasil é o brasileiro,

A gente fica remexido quando os gringos vem perguntar se “é assim tão perigoso mesmo?”, colocando uns vídeos sensacionalistas do Youtube para ilustrar (como se você não soubesse sobre seu próprio país e precisasse ver um vídeo. Do YouTube. Sobre violência… Hahaha, mal sabem eles que existe Cidade Alerta). É, é sim. Mas também não é, sabe? Pois é, não dá pra explicar muito bem para um país em que as pessoas deixam a porta da casa aberta. Não destrancada. Aberta mesmo, que você anda na rua e espicha o pescoço e consegue ver tudo ali dentro.

O que eu digo em resposta é que o Brasil é muito mais que isso porque, olha, é. E dá saudade. E dá um negócio que não sei explicar bem, mas é quase vontade de apertar a garganta de quem vem falando em espanhol com a gente, pressupondo que essa é nossa língua. Nunca achei que seria patriota, mas agora defendo o português e o pão de queijo como se não houvesse o amanhã.

Até as coisas mais bestas te encantam no outro país

Sou o tipo de pessoa que acha bonita até a embalagem de caixa de ovos aqui no EUA rsrrsrs. Não porque eu seja iludida e ache que tudo aqui é muito melhor que no Brasil (na verdade, é meio o contrário: quanto mais conheço o EUA mais me apaixono,  – como mas porque é tudo muito diferente e é isso que me encanta: lidar com o novo em absolutamente todos os aspectos da rotina. Desde  o fato de escurecer 4pm em um dia de inverno até uma ida ao supermercado.

É um exercício muito interessante olhar para as coisas e comparar como elas são no seu país e no lugar onde você está agora. Às vezes acaba sendo meio cansativo, porque você só queria o conforto do que já conhece, mas é muito bom para chacoalhar a gente e nos fazer perceber que existe muito mais do que já conhecemos. Mais paisagens, mais costumes, mais expressões, mais pessoas, mais tudo.

Rola uma crise de identidade

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De repente você tá do outro lado do mundo e não consegue nem falar com a sua família direito –  ( quando existe as trocas de horário ). De repente você percebe que as pessoas aqui no EUA são todas muito simpáticas e agradáveis, mas só. Elas não criam vínculos, elas não são aquele tipo de gente com quem você pode contar, aqueles parça da vida, sabe? Diferente de brasileiro.

E nem é porque tem algo de errado com eles, só é… Cultural. Até a forma de se relacionar com os outros é diferente , no inicio isso é bem estranho pode se pegar meio sozinho e sem amigos. Aí rola uma crise de identidade, um vazio entre a pessoa que era antes de vir para o país e a pessoa que tenta ser agora.

Toda essa saudade é gatilho para uma crise de identidade e de se perguntar “será que eu fiz a coisa certa?”. Fez, viu. Fez sim. Porque se você tá se desafiando significa que tá crescendo, que tá mudando – e mudar é o primeiro passo para evoluir. Mas não vou negar, dia sim, dia não, bate uma crisinha.

Se perder, na verdade, é muito bom

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Apesar dos minutos de pânico e precisar dar uma paradinha para respirar fundo, se recompor e se convencer de que OK, EU TENHO O CONTROLE DA SITUAÇÃO, se perder em outro país é divertido. Ainda mais se você estiver em um local em que todo mundo é simpático e disposto a te ajudar. E os americanos diferentes do que ouvi falar, eles são prestativos e dispostos à ajudar.

E eu não tô querendo romantizar a coisa toda não, é realmente uma experiência interessante porque se perder é o primeiro passo para se achar – ou achar alguma outra coisa, como um café, uma galeria de arte, um restaurante, um amigo. Quando a gente se perde, os sentidos mudam: tudo fica meio nebuloso e as coisas que chamam a nossa atenção realmente marcam, como uma placa de neon que pisca sem parar. Além de que, a sensação de conseguir se virar é uma vitória pessoal enorme e você se sente preparado para lidar com (quase) tudo.

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